O Campo De Murphy

17 de abril de 2003
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Chuveiro

Hoje o dia foi longo. Eu contei mais de 30 horas, mas não posso afirmar com certeza por que o meu relógio ainda está estragado.
Sempre reservo metade do meu dia pra meditar sobre o que vou fazer no resto dele. Desconto as horas mortas (sono, ataques, desmaios, etc.) e o restante do tempo eu divido entre as minhas várias funções.

Hoje, além do meu trabalho rotineiro de regular o clima em diversas regiões do país, eu descobri que meus poderes perceptivos extra-sensoriais avançados estão me permitindo vislumbrar o que chamei de ”Campo de Murphy”. Para quem não conhece, é o campo cujas manifestações físicas costumam irritar as pessoas a ponto de fazê-las crer que há alguma lei determinando o fracasso em suas ações, as famosas ”Leis de Murphy”.
Dizem que uma situação extremamente estressante pode desencadear uma visão superior da natureza. Foi exatamente assim que eu descobri o terrível campo hoje.

Estava eu tomando meu banho quando, ao abrir o xampu, ele escorregou da minha mão e todo o precioso conteúdo do frasco foi por água abaixo. Transtornado e sem alternativas à mão (sabonete me dá caspas terríveis) usei um sabão de mecânico que eu havia deixado num canto do banheiro. Tal sabão é extremamente abrasivo, pois tem a função de retirar graxas e outras substâncias nojentas das mãos das pessoas. Em um momento de descuido, ao ensaboar minha cabeça, deixei cair aquele fluído infernal em meus olhos.

Desesperado, gritei: ”O que mais falta me acontecer?”. Para então, 2 segundos depois, faltar água.

Cego e afligido pela dor dilacerante pude vislumbrar em minha mente, como uma densa cortina da mais espessa fumaça, o famigerado ”Campo de Murphy”, espalhado ao redor da Terra e penetrando em todos os lugares e mentes, alimentando-se das frustrações dos indivíduos.

As únicas medidas contra a sua influência que eu pude descobrir até agora são: levar tudo na esportiva e ter um bom plano de saúde.

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