18 de abril de 2003
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Cansado, disse para mim mesmo hoje:
– Você não pode mais tomar essa medicação toda!
Ao que eu me respondi:
– É claro que pode. Não só pode como deve!
Depois de muita conversa comigo mesmo entramos em acordo e revolvi continuar com os antialucinógenos e os outros medicamentos por mais um tempo. Tenho que admitir, eu consigo ser muito persuasivo.
Embora eu ache que isso tudo é uma grande bobagem (eu sou um dos sujeitos mais centrados que conheço) não me custa nada satisfazer as obsessões medicamentosas do meu psiquiatra.
Em homenagem a ele, compus esse poema chamado ”No limite”:

Um cão uiva para a lua
Alucinado, uivo também.
Já nem mais saio à rua,
De tanto medo de trem.

Ao ver o ferrorama de minha infância,
Que tantos momentos felizes trouxe,
Com horror, encho-me de ânsia
Como se não mais brinquedo fosse.

Mas sinto-me melhor a cada dia.
E se o caso é sério, não faz mal.
Até conheço de novo a alegria
E saúdo: Viva ao Gardenal.

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