20 de abril de 2003
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Rei

Eu vivo reclamando da qualidade da comida no restaurante onde freqüento. Não passa um dia em que eu não me encha de insatisfação pela comida engraxada que aquele senhor nos obriga a comer, já que ele sabe que não existe concorrência por perto.
Tento sempre evitar entrar em atrito com as pessoas já que da última vez eu saí numa camisa de força. Mas hoje reagi à agressão. Botei todos os podres pra fora. Acredito que tive uma das maiores diarréias da história da humanidade.
Sentado no meu trono de infâmia e agonia, pude ver a vida esvaindo-se do meu corpo por aquele fluxo incontrolável e, nesse momento, tive uma revelação:

Defecamos na água dos rios e dos rios bebemos nossa água. Por conseguinte, bebemos as fezes que defecamos. Também dos rios onde defecamos tiramos a água que irriga nossas plantações, que nutrem-se, por sua vez, do solo fertilizado pelo esterco. Somos dessa forma, inevitavelmente, feitos de bosta. Homens e mulheres feitos de bosta, morando em um mundo cuja única matéria onipresente é a bosta.

Não me surpreendo que nos sintamos tão sozinhos no universo. Se eu fosse um alienígena também não iria querer fazer contato…

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