27 de abril de 2003
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privada

Hoje entendi o sentido da palavra privada. Sempre pensei que o vaso sanitário fosse chamado de privada, por ser ali, na privacidade de nosso banheiro, que déssemos vazão às nossas aflições e esvaziássemos nossas consciências. O que seria bastante coerente, pois não sendo pública, é privada, embora eu não entenda nada de coerência.

Mas, quase instantaneamente, surgiu-me outra indagação: como ficaria, nesse caso, a situação das privadas públicas?

Meditei algum tempo em cima desse aparente paradoxo semântico, e cheguei à única conclusão lógica possível: ela é privada, não por ser particular, mas por ser desprovida!
Sim, a essência do entendimento havia iluminado minha mente!

A privada possui esse nome porque, assim como o criado-mudo do qual falei ontem, foi-lhe retirada toda a sua dignidade! Ela foi totalmente privada de um destino honroso como objeto doméstico!
Pensando bem, nem mesmo o criado-mudo sofre tamanha ignomínia, visto que detém privilégios com os quais uma privada jamais sonharia. Uma privada jamais sustentaria os livros prediletos de seu dono, jamais lhe faria companhia durante o sono, jamais abrigaria seus pequenos objetos pessoais ou conteria a água que ele bebe para matar sua eventual sede noturna.

A triste verdade é que tudo o que resta à desafortunada privada é ver o lado mais feio da humanidade.

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