Escolinha do Chocolatão – Ensinando Amor
sexta-feira, janeiro 22nd, 2010
Domingo, 17 de janeiro de 2010, foi um dia muito especial para as crianças do Chocolatão, finalmente conseguimos um local fechado para fazermos a aula da escolinha das crianças do núcleo. A área, uma varanda coberta, foi cedida por uma moradora mediante a promessa de que as crianças não estragariam nada. A aulinha começou com uma oração da tia Vanessa, e em seguida a tia Marjorie deu a palavra, contando a história dos dez leprosos (Lucas 17:11-19). Primeiro, explicou o que era lepra, pois as crianças não sabiam. Elas ficaram impressionadas em saber a situação daqueles homens da Bíblia: com uma doença que naquela época não tinha cura, nem tratamento, e que fazia cair os pedaços do corpo: nariz, orelha, dedos…imagina só a vida daqueles homens? Desprezados, rejeitados, ninguém queria chegar perto, eles viviam tristes. Então ouviram falar em Jesus, e que ele curava todos os doentes que se aproximavam. É claro que quiseram encontrá-lo! Então ele mandou que eles fossem se apresentar aos sacerdotes. No caminho, perceberam que estavam curados! Cheio de alegria, um deles voltou, dando glórias a Deus, para agradecer a Jesus. Chegando a Jesus, Ele lhe perguntou: “Não eram dez os que foram curados? Onde estão os outros nove?” Somente um voltou para agradecer e dar glória a Deus, e Jesus disse a este: “a tua fé te salvou”.
A tia Marjorie então falou que aqueles nove só estavam interessados na cura, na bênção, nas coisas boas que Jesus tinha para dar, mas não queriam saber de Jesus, não queriam ser amigos de Jesus (lembrando da palavra da semana passada, que falava de que Jesus quer ser nosso amigo, baseado no versículo que diz “Vós sois meus amigos se fazeis o que vos mando” – João 15:14), receberam a cura e foram embora, demonstrando ingratidão. A tia reforçou o quanto é importante se aproximar de Jesus buscando a salvação, procurando ser amigo dele em todos os momentos, pois as coisas boas que ele tem para dar serão consequência dessa amizade, e nunca terão fim se procurarmos estar perto dele em todas as horas. Em seguida, as crianças aprenderam e cantaram uma musiquinha que dizia: “Um, dois, três, quatro, cinco/ seis, sete, oito, nove, dez/ Dez homens Jesus curou/ dez homens Jesus curou/ nove foram embora/ só um deles voltou/ para dizer “muito obrigado”/ para dizer “muito obrigado”./ A ingratidão é dor que dói no fundo do coração/ não quero, não quero que meu Jesus /sofra com minha ingratidão”. Depois as tias distribuiram folhas de papel e giz de cera para as crianças fazerem desenhos. No final, as crianças ganharam saquinhos de doces, trazidos pela tia Vanessa e pela tia Patrícia (os da tia Patrícia fizeram muuuuito mais sucesso).
Confesso que me surpreendi com a hora da atividade. As crianças foram bem comportadas, trocavam as cores do giz de cera calmamente, pegando do potinho que estava em minha mão (e eu percebi que comprar mais giz de cera não é uma má idéia). Depois, elas traziam os desenhos, eu elogiava, elas ficavam tão felizes que queriam me dar o desenho de presente. Não pedi, elas quiseram deixar comigo. Depois comecei a perguntar se queriam levar ou deixar comigo, e a maioria preferia deixar comigo. Escrevi o nome das que não sabiam escrever atrás do papel. Quem já sabia, colocou o nome na frente do desenho. Confesso que não esperava tantas cores alegres e corações naqueles desenhos, e interpretei isso como uma resposta positiva ao nosso trabalho. As crianças viram amor em nossa escolinha. O desenho da Vitória eu escolhi para abrir esse artigo porque ele mostra o quanto a historinha foi impactante para ela. O homem que voltou para agradecer e Jesus estão sorridentes, cercados de corações, demonstrando o amor e a amizade entre os dois. Os outros nove, de longe, com boquinhas redondas de surpresa, percebem o quanto perderam ao se afastarem de Jesus.
A Jaqueline também fez um lindo desenho relacionado com a historia que ouviram, e o desenho da Letícia é um coração alegre, cercado por duas flores e coberto por um sol bem amarelo em um céu azul claro. O Chocolatão é uma vila cujos tons predominantes são o cinza e o marrom, e a profusão de cores vivas nos desenhos daquelas crianças me mostrou que aquelas alminhas ainda têm muito espaço para esperança, para fé, para o futuro. Futuro esse que vinha sendo ameaçado pelo vício dos pais, pela miséria ao redor, pelo lixo, pelo caos. Agora não apenas as almas adultas têm um lugar onde buscar a Deus, como também suas crianças estão sendo orientadas no mesmo caminho. Se conseguirmos plantar uma sementinha boa que seja, nesses coraçõezinhos que recebem tantas sementes ruins da vida, já estarei feliz.
Conseguimos apoio da EBI da Catedral, disponibilizaram orientação para as tias, e no decorrer do trabalho nós seguramente as procuraremos. Trabalhar com as crianças não é simplesmente encontrar um lugar para “estocá-las”. Elas são almas, estão crescendo, e podem ser a porta para Jesus dentro de suas casas, livrando suas vidas de um futuro destruído como o de grande parte dos pais. Foi isso o que Deus me fez entender, ao me despertar para esse trabalho. Aquelas são almas que Ele quer alcançar, e é imprescindível que o terreno comece a ser preparado desde cedo. Por enquanto a escolinha conta com duas tias: eu e a Marjorie, mas estamos orando para que Deus levante mais pessoas para nos auxiliar neste trabalho, inclusive alguém para cuidar da porta durante a aulinha e para organizar a fila dos doces, que ainda está um tanto quanto caótica. No próximo domingo espero conseguir ter um tempinho para tirar fotos das crianças e publicar neste site.
Aparentemente o trabalho é árduo e o inimigo tentou por algum tempo nos desanimar, dando a entender que não conseguiríamos, que seria inútil sequer tentar chegar ao coração dessas crianças. E já conseguimos, na terceira semana de trabalho (a primeira propriamente dita, já que foi a primeira organizada), tantos corações… Colei os desenhos na parede do meu quarto, para fotografar um a um, e ficou tão bonito que resolvi deixar por mais algum tempo em “exposição”. Enquanto eu os observava e me lembrava do caos que foi tentar alguma comunicação com elas nas primeiras semanas (isso é assunto para um novo artigo), me veio à mente o quanto Deus se importa com os pequeninos, com os fracos… Ele sempre escolhia o menor, o mais pobre, para exaltá-lo e fazê-lo grande entre os grandes. Ele se importa até com as pequenas aves, com os animaizinhos, e eles são tão preciosos que ele usa essa comparação para nos mostrar o quão importantes para Ele são os seus filhos: “mais valeis vós do que muitos pardais”. Se esses bichinhos, que para o ser humano são tão desprezíveis, não fossem para Deus extremamente valiosos, ele não diria isso. “Vocês valem mais do que coisas sem valor” ou “Vocês valem mais do que coisas que já são valiosas”? (esse também é um assunto para um próximo artigo). Nosso Deus é detalhista, ele é sensível, se importa com o que nós desprezamos. Ele olha para o desvalido, para erguê-lo do pó. Olha para o humilhado, para exaltá-lo. Escolhe o menor, da casa mais pobre, para fazê-lo um grande líder, guerreiro, vencedor.
Por enquanto, fazemos o núcleo na associação de moradores da vila, a escolinha na varanda de uma moradora, temos quarenta, cinquenta adultos e de quinze a vinte crianças, mas eu já nos vejo com um espaço próprio, confortável, reuniões diárias, pessoas convertidas, libertas, firmes na fé, obreiros surgindo ali, crianças convertidas, crescendo na presença de Deus, prosperando, vidas sendo transformadas e uma nova realidade para o Chocolatão. Pela fé, estamos apenas iniciando uma grande movimentação espiritual naquele lugar. As dificuldades aparentes só nos fazem ter mais garra, mais vontade de ver a situação mudar, pois somos Heróis, estamos com o Senhor dos Exércitos, que nos capacita para vencer qualquer guerra.

Publicado originalmente em: http://www.discipuladors.com.br
